Alimentos ricos em potássio: 20 fontes medidas na porção
Tabela de composição costuma falar em 100 g. É uma medida útil para comparar amostras, mas pouco parecida com o que vai à mesa: ninguém serve 100 g de cacau em pó, e uma concha de feijão passa desse peso. Por isso, a lista abaixo usa a medida que aparece na cozinha — a unidade, a concha, a colher, o punhado.
Os valores vêm de duas bases brasileiras. A maior parte é da TACO 4ª edição, do NEPA/Unicamp, cujos números são por 100 g de parte comestível e foram convertidos para a massa da porção (mg por 100 g × gramas ÷ 100). Semente de abóbora, cacau e grão-de-bico usam a TBCA 7.3, com as medidas caseiras da própria ficha.
O peso de cada medida caseira — a concha, a colher, a unidade — segue a Tabela de Medidas Referidas da POF 2008-2009, do IBGE, que registra quantos gramas a população brasileira costuma servir em cada tipo de medida. É ela que diz, por exemplo, que uma concha de feijão tem 140 g e uma colher de sopa de espinafre refogado, 25 g.
A ordem da tabela é editorial: frutas, tubérculos, leguminosas, verduras, sementes e cereais. Ela não é um ranking, e a posição de cada alimento não diz que ele é “melhor” que o de baixo.
| Alimento e preparo | Porção | Potássio (mg) |
|---|---|---|
| Banana-nanica, crua | 1 unidade (75 g de polpa) | 282 |
| Tamarindo, cru (polpa) | 1 porção (25 g) | 181 |
| Abacate, cru | 1/4 de unidade (100 g de polpa) | 206 |
| Mamão papaia, cru | 1/2 unidade (155 g de polpa) | 195 |
| Maracujá, cru | 1 unidade (45 g de polpa) | 152 |
| Batata inglesa, cozida | 1 unidade (140 g) | 226 |
| Batata-doce, cozida | 1 porção (150 g) | 223 |
| Mandioca, cozida | 1 pedaço (100 g) | 100 |
| Cenoura, crua | 1 unidade pequena (55 g) | 173 |
| Abóbora cabotian, cozida | 1 concha (100 g) | 199 |
| Feijão-carioca, cozido | 1 concha (140 g) | 356 |
| Feijão-preto, cozido | 1 concha (140 g) | 359 |
| Grão-de-bico, cozido e drenado | 1 concha cheia (120 g) | 329 |
| Lentilha, cozida | 1/2 concha (80 g) | 176 |
| Couve-manteiga, refogada | 2 colheres de sopa (40 g) | 126 |
| Espinafre, refogado | 2 colheres de sopa (50 g) | 75 |
| Castanha-do-pará, crua | 5 unidades (20 g) | 130 |
| Semente de abóbora, torrada | 2 colheres de sopa rasas (30 g) | 274 |
| Cacau em pó sem açúcar | 1 colher de sopa cheia (15 g) | 228 |
| Aveia em flocos, crua | 2 colheres de sopa (30 g) | 101 |

O que o potássio faz — em linguagem de cozinha
O potássio é um mineral que circula nos líquidos do corpo e participa de três tarefas básicas: ajuda a manter o equilíbrio de água dentro e fora das células, conduz os impulsos nervosos e entra na contração dos músculos — inclusive do coração.
Na prática, é por isso que ele aparece tanto em conversas sobre cãibras, cansaço e pressão arterial. O mineral não “liga” nada sozinho: ele trabalha junto com o sódio, e é o equilíbrio entre os dois que o corpo ajusta o tempo todo, principalmente pelos rins.
Comida é a via mais comum de repor o que se perde no suor e na urina. Frutas, tubérculos, leguminosas, verduras, sementes e cacau são as fontes mais concentradas — e é aí que a lista deste guia começa.
Quanto potássio por dia: as três referências que circulam
Existem três números diferentes rodando na internet, e nenhum deles está “errado” — eles só respondem a perguntas distintas.
A referência americana atual, publicada pelo NIH Office of Dietary Supplements, indica 2.600 mg por dia para mulheres adultas e 3.400 mg para homens adultos. É uma ingestão adequada para a população, não uma prescrição individual.
A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 3.510 mg por dia para adultos, como parte de uma alimentação que também reduza o sódio. É uma meta de saúde pública, pensada para prevenção no conjunto da população.
E os 4.700 mg que aparecem em muitos blogs e em rótulos? Esse número existe e não está errado: é o valor diário (Daily Value) que a FDA usa para calcular o %VD nos rótulos dos Estados Unidos. Ele foi fixado a partir de uma recomendação americana de 2005 e permaneceu no rótulo mesmo depois de as DRIs de 2019 terem sido revisadas para 2.600 e 3.400 mg. Ou seja: é uma referência de rotulagem, não a ingestão recomendada atual.
| Referência | Valor para adultos | O que é |
|---|---|---|
| NIH (DRIs, revisão de 2019) | 2.600 mg (mulheres) / 3.400 mg (homens) | Ingestão adequada para a população |
| OMS | Pelo menos 3.510 mg | Meta de saúde pública, junto com menos sódio |
| FDA — valor diário de rotulagem | 4.700 mg | Referência fixa usada no %VD dos rótulos dos EUA |
Qual alimento tem mais potássio? A régua muda a resposta
Se a pergunta for “o que tem mais potássio em 100 g”, a resposta puxa para os alimentos secos e concentrados: cacau em pó sem açúcar (quase 1.524 mg), semente de abóbora torrada (919 mg) e tamarindo (723 mg).
Mas ninguém come 100 g de cacau. Na porção real, as posições mudam: uma concha de feijão-carioca entrega 356 mg, uma banana entrega 282 mg e duas colheres de semente de abóbora entregam 274 mg.
É por isso que a pergunta “qual tem mais?” precisa de uma segunda pergunta: em qual porção? A resposta honesta é sempre a dupla alimento + medida.
| Alimento | Por 100 g | Na porção do dia a dia |
|---|---|---|
| Cacau em pó sem açúcar | 1.524 mg | 228 mg (1 colher de sopa, 15 g) |
| Semente de abóbora | 919 mg | 274 mg (2 colheres de sopa, 30 g) |
| Tamarindo | 723 mg | 181 mg (1 porção, 25 g) |
| Banana-nanica | 376 mg | 282 mg (1 unidade, 75 g) |
| Feijão-carioca cozido | 255 mg | 356 mg (1 concha, 140 g) |
| Batata inglesa cozida | 161 mg | 226 mg (1 unidade, 140 g) |

Por que os números da internet não batem: TACO × USDA
Quem compara duas listas de potássio costuma encontrar valores diferentes para o “mesmo” alimento. Na maioria das vezes, não é erro: são amostras, variedades e preparos distintos.
O caso mais claro é o abacate. A TACO analisa o abacate vendido no Brasil, com 206 mg por 100 g. A base americana (USDA FoodData Central) analisa o Hass, menor e mais oleoso, com 485 mg na mesma quantidade. A diferença de mais que o dobro vem da variedade, não de um erro de tabela.
O mesmo vale dentro do Brasil: o mamão papaia tem 126 mg por 100 g, e o formosa, 222 mg. Os dois são mamão, e os dois números estão certos. Para não misturar réguas, este guia usa TACO e TBCA do começo ao fim — e você pode ver a comparação completa no artigo sobre abacate e seus benefícios.
| Alimento | TACO (Brasil) | USDA (EUA) | Motivo da diferença |
|---|---|---|---|
| Abacate | 206 mg | 485 mg | Variedade: abacate brasileiro × Hass |
| Banana | 376 mg (nanica) | 358 mg (média) | Variedade e ponto de maturação |
| Mamão | 126 mg (papaia) | 182 mg (média) | Espécie: papaia × formosa |
Potássio e sódio: o equilíbrio que aparece na pressão
Potássio e sódio são os dois minerais que o corpo usa para regular o volume de líquidos. Eles não funcionam como opostos absolutos, mas o balanço entre os dois aparece em praticamente todo estudo sobre pressão arterial.
O que as revisões de população mostram é uma associação: dietas com mais potássio e menos sódio tendem a acompanhar pressão arterial mais baixa em adultos. É por isso que a OMS recomenda menos de 2.000 mg de sódio por dia (o equivalente a 5 g de sal) e pelo menos 3.510 mg de potássio. O Guia Alimentar para a População Brasileira segue a mesma lógica: menos tempero industrializado, mais feijão, fruta, verdura e legume no prato.
Associação não é garantia individual. A pressão de cada pessoa depende de genética, peso, sono, estresse, outros hábitos e medicamentos. A alimentação é parte do cuidado e não substitui acompanhamento profissional — quem tem pressão alta, doença renal ou usa remédios de uso contínuo deve conversar com quem acompanha sua saúde antes de mudar a rotina por conta própria.
Cozinhar tira potássio? O que a água leva embora
Sim, parte do potássio sai do alimento durante o cozimento — e vai para a água. Quanto sai depende do método: ferver em bastante água e descartar a água é o que mais reduz o mineral; cozinhar no vapor, refogar ou assar com casca preserva mais.
O Ministério da Saúde usa exatamente esse princípio na orientação a pacientes renais: vários legumes aparecem como “baixo teor de potássio se cozidos em água fervente e desprezando a água da fervura”.
Essa é a razão pela qual a tabela identifica o preparo de cada alimento. “Batata cozida” e “batata assada com casca” não são o mesmo número, ainda que sejam a mesma batata.
| Método | O que acontece com o potássio |
|---|---|
| Ferver em bastante água e descartar | Maior perda — o mineral migra para a água |
| Cozinhar no vapor | Perda menor que na fervura com descarte |
| Refogar | Pouca perda para a água; o óleo dilui o valor por 100 g |
| Assar com casca | Preserva mais, porque a água do alimento evapora, não escorre |

Quem precisa moderar: doença renal, diuréticos e coração
Para a maioria das pessoas, comer alimentos ricos em potássio é parte de uma alimentação variada. Para alguns grupos, porém, o mineral precisa de controle — e esse controle é individual.
Pessoas com doença renal crônica, em diálise ou com insuficiência cardíaca podem receber orientação para limitar o potássio. Cada caso tem um limite próprio, definido a partir de exames e do estágio da doença — duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem receber orientações diferentes.
Medicamentos também mexem com o potássio, e em direções opostas. Diuréticos tiazídicos e de alça costumam reduzir o mineral no sangue; já os diuréticos poupadores de potássio (como a espironolactona), os inibidores da ECA, os bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) e os suplementos podem elevar. O efeito depende do remédio, da dose, da função dos rins e do resto da alimentação, e costuma ser acompanhado com exames.
Nesses casos, não vale cortar alimentos, começar suplemento por conta própria nem seguir lista de internet. A quantidade, o preparo e as escolhas são definidos pela equipe que acompanha o tratamento. A listagem de alimentos do Ministério da Saúde e as orientações da Sociedade Brasileira de Nefrologia são referências usadas nesse acompanhamento.
“Sal light” não é sal: o cloreto de potássio do mercado
O sal light existe: parte do cloreto de sódio é substituída por cloreto de potássio, e o rótulo mostra essa troca. Para quem quer reduzir sódio, ele pode parecer uma solução simples — mas não é um produto neutro.
O cloreto de potássio é justamente a forma usada em suplementos e em alguns substitutos de sal. Por isso, quem tem doença renal, usa medicamentos que retêm potássio ou faz acompanhamento cardiológico deve conversar com o profissional antes de trocar o sal comum pelo light.
Para o restante das pessoas, a recomendação continua sendo a da cozinha: menos tempero pronto, mais ervas, alho, cebola, limão e pimenta. O sal light é uma ferramenta pontual, não uma autorização para exagerar no saleiro.

Um dia de potássio no prato brasileiro
Somar o dia é mais útil que decorar um número. O cardápio abaixo usa apenas porções que aparecem na tabela principal — nada de alimento exótico e nada de suplemento.
O total fica em 2.229 mg, abaixo dos 2.600 mg de referência para mulheres adultas e longe dos 3.400 mg dos homens. É assim que a maioria dos dias fica: perto, mas não no alvo. Note também que a banana entra uma única vez; o resto vem de feijão, folhas, tubérculo, castanha e fruta.
| Refeição | Itens | Potássio |
|---|---|---|
| Café da manhã | 1 banana-nanica (75 g) + 2 colheres de aveia + 1 colher de cacau em pó | 611 mg |
| Almoço | 1 concha de feijão-carioca + 2 colheres de couve refogada + 1 concha de abóbora cozida | 681 mg |
| Lanche | 5 castanhas-do-pará + 1 maracujá | 282 mg |
| Jantar | 1 porção de batata-doce + 1/2 concha de lentilha + 2 colheres de espinafre refogado | 474 mg |
| Extra | 1 porção de polpa de tamarindo (suco) | 181 mg |
| Total | 2.229 mg |
- Para chegar aos 2.600 mg, uma concha de grão-de-bico no jantar (329 mg) e um maracujá no lanche (152 mg) levam o dia a 2.710 mg.
- Sem grão-de-bico, uma segunda banana no café da manhã soma 282 mg e fecha o dia em 2.511 mg — ainda abaixo da referência feminina.

Erros comuns (e como não cair neles)
A lista de erros se repete em quase toda conversa sobre potássio. Nenhum deles é grave sozinho, mas juntos eles transformam uma tabela útil em dieta inventada.
- Achar que potássio é só banana. A fruta é prática e fácil de carregar, mas feijão, batata, folhas e sementes entregam tanto ou mais na porção.
- Comparar 100 g com a porção que vai ao prato. É o erro que faz o cacau em pó parecer imbatível e a batata parecer fraca.
- Trocar comida por suplemento sem indicação. A maior parte da necessidade cabe no prato; suplemento é decisão profissional.
- Descartar a água do cozimento sem saber o efeito. Para quem precisa reduzir potássio, isso ajuda; para os demais, pode ser perda desnecessária de sabor e de outros nutrientes.
- Usar sal light por conta própria. A troca envolve cloreto de potássio e merece conversa com quem acompanha sua saúde.
- Tratar uma tabela como dieta. Números ajudam a comparar; eles não prescrevem porção nem substituem acompanhamento.
Para continuar lendo
O potássio não anda sozinho no prato. A concha de feijão que abre este guia também aparece no artigo de alimentos ricos em ferro e na comparação entre potássio e magnésio, que usa os mesmos registros da TACO.
Se a sua dúvida é o grão, o guia do feijão-carioca mostra o molho, o tempo de pressão e o caldo. Para o tubérculo, o purê de batata-doce resolve a parte da cozinha; para a castanha, o artigo da castanha-do-pará com casca explica como abrir e guardar. Quem começa o dia com aveia encontra as porções no guia do farelo de aveia.
Para ver todos os guias do caderno, visite a página de Minerais.
Perguntas frequentes
Qual é o alimento mais rico em potássio?
Depende da régua. Por 100 g, o cacau em pó sem açúcar aparece com 1.524 mg, a semente de abóbora torrada com 919 mg e o tamarindo com 723 mg. Na porção real, uma concha de feijão-carioca tem 356 mg, uma banana tem 282 mg e uma colher de cacau, 228 mg. Comparar porções é mais útil que comparar 100 g.
A banana é a maior fonte de potássio?
Não. A banana é uma fonte prática e fácil de transportar, mas feijão, tamarindo, batata e sementes entregam quantidades parecidas ou maiores na porção. Uma concha de feijão-carioca (140 g) tem 356 mg, mais que uma banana-nanica inteira (282 mg), e o tamarindo concentra 723 mg por 100 g.
Quanto de potássio por dia um adulto precisa?
A referência americana atual (NIH) indica 2.600 mg para mulheres adultas e 3.400 mg para homens. A OMS recomenda pelo menos 3.510 mg como meta de saúde pública. Já os 4.700 mg que aparecem em rótulos são o valor diário da FDA, usado para calcular o %VD — uma referência de rotulagem, não a ingestão recomendada atual.
Quem tem pressão alta deve comer mais potássio?
Uma alimentação com mais comida de verdade e menos sódio é parte do cuidado da pressão alta, mas não substitui acompanhamento. Estudos de população mostram associação entre mais potássio e pressão mais baixa, sem garantir o mesmo efeito para cada pessoa. Quem tem doença renal ou usa medicamentos que mexem com potássio precisa de orientação individual antes de aumentar a ingestão.
Cozinhar os legumes faz perder potássio?
Sim, parte do mineral passa para a água. Ferver em bastante água e descartar a água é o método que mais reduz o potássio; cozinhar no vapor, refogar ou assar com casca preserva mais. Por isso a tabela identifica o preparo de cada alimento.
Quem tem doença renal pode comer alimentos ricos em potássio?
Depende do caso, do estágio da doença e dos exames. Muitas pessoas com doença renal recebem orientação para limitar o potássio, e a quantidade é definida pela equipe que acompanha o tratamento, caso a caso. O preparo — ferver e descartar a água, por exemplo — também entra nessa orientação.
Fontes
- TACO, 4ª edição — Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (NEPA/Unicamp)
- TBCA 7.3 — Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (USP)
- TBCA — semente de abóbora, inteira, torrada, sem óleo e sem sal, BRC0024U
- TBCA — grão-de-bico cozido, drenado, sem óleo e sem sal, BRC0017T
- TBCA — cacau em pó sem açúcar, BRC0090K
- IBGE — POF 2008-2009: Tabela de Medidas Referidas para os Alimentos Consumidos no Brasil
- NIH Office of Dietary Supplements — Potassium Fact Sheet for Health Professionals
- FDA — Daily Value on the Nutrition and Supplement Facts Labels (potássio: 4.700 mg)
- OMS — Guideline: Potassium intake for adults and children
- Ministério da Saúde — Linhas de Cuidado: doença renal crônica em adultos, listagem de alimentos ricos e pobres em potássio
- Ministério da Saúde — Guia Alimentar para a População Brasileira, 2ª edição
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde.
Voltar para Minerais


